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quarta-feira, 1 de junho de 2011

A MÚSICA EM ITAPIRA

Nossa viagem pela música em Itapira começa no inicio do ano de 1900. Após o fato doloroso para nossa cidade ocorrido em 1888 e, desejando os políticos, na recém batizada Itapira, alterar o clima sombrio que se espalhara, trouxeram para o município músicos. Nessa época, ouvir a boa música, não era tarefa fácil, pois, do que temos hoje à nossa disposição para “curtir um som”, lá naqueles tempos, não existiam. O som teria que ser feito ao vivo e sem caixas acústicas, sem playback, sem nenhuma ajuda eletrônica. Progressos como o rádio ou o gramofone eram privilégio de poucos. Sem contar o pensamento da elite que estudava e participava da vida cultural de Campinas, da capital e no exterior. Tinham contato com as inovações e a cultura oficial, que foram trazidas para cá. Os vários maestros que pisaram o chão penhense, descobriram no povo, gente com veia artística e das boas. Gostavam do que faziam e faziam na maioria das vezes sem receber um só tostão. Era amor mesmo à arte.

Se os jovens de hoje ouvissem as músicas executadas em todos os eventos acontecidos naqueles tempos, iriam pensar: “ .. que coisa é essa? Que jeito de tocar e cantar mais feio!...”. Realmente é muito diferente a sonoridade, as letras, os instrumentos e a maneira de cantar. Já ouvi alguns discos do tempo de Ataulfo Alves, por exemplo, se percebe que a coisa acontecia de uma vez e o cantor tinha que ter voz muito forte para aparecer junto aos instrumentos. Hoje, o cantor faz isto, muitas vezes longe da orquestra, em gravações. Consegue-se adequar o volume, timbre, ritmo e excluir os defeitos. Coisas de hoje. As bandas e orquestras se proliferavam, pois, naqueles tempos não existiam as facilidades de hoje, como, dezenas de estações de rádios, mídias diversas, gravadores, toca-discos, toca-cd, televisão e outros. Para ouvir música, somente e pelo menos para cidades interioranas como Itapira, teria que ser ao vivo. Até o cinema daquele tempo se utilizava dos serviços dos músicos para proporcionar emoção àquilo que se via na tela. Os filmes eram mudos

Naqueles tempos, era para valer desde os primeiros acordes, por isso os ensaios constantes que Torrecillas alude em suas crônicas. Todos tinham seus ofícios e se dedicavam em outras horas para a Arte.

Vamos conhecer então a música e as pessoas que a fizeram acontecer a cem anos atrás:


MUSICOS

Itapira em 1915 respirava música. Tanto nas residências, no Parque Municipal, no cine-teatro, nas lojas com seus gramofones, e nas serestas que cortavam a cidade à noite. Valsas, mazurcas e polcas enchiam os adoradores da boa música de então. A Banda Lira apresentava-se aos sábados no coreto tocando durante duas horas.
Os comércios que executavam músicas nos gramofones eram: Bazar Passarella da Dona Gina parteira, Hotel Sartini do Janjão Vasconcelos Tavares e do Chico Job, a oficina do Orestes Zerbinatti, e nos casarões. Por exemplo, o solar do Irmão, da maçonaria, do Dr. Nevio Bicudo, capitaneado pela maior pianista de Itapira, a Dona Miloca; na casa do professor Ismael de Assis Pinto, que reunia diversos músicos como os violonistas Melinho, Pedro Marinheiro, Levino da Conceição, João e Tomazito Landa e o mestre do violino, Antonio Pedrosa quando de suas visitas à nossa cidade; a Orquestra Pinguça nos seus ensaios na relojoaria da Rua Bento da Rocha, que praticamente era uma apresentação. Oitenta músicos estavam distribuídos por bandas na cidade e, nas fazendas Forões e Santa Bárbara. Podemos dizer que Itapira era a Meca para onde convergiam os artistas de várias cidades, certos de encontrarem aqui verdadeiros admiradores da boa e excelente música.
Enumerando temos: o Maestro João Batista do Nascimento; o Maestro francês Eduardo Bourdot; Antonio Paulino de Castro, um dos fundadores da Banda Lira; Maestro Gianelli, professor de canto e piano de Minas Gerais, trazido pelo poderoso politico Bento da Rocha; de Campinas, o mestre Ananias Jose Vieira; João Trani; João Marella que deu para Itapira seus nobres filhos, todos músicos, Beppe e Aristides; Duduca e Sizenando Nunes, flauta e violino; mestre Nenê Netto e seus filhos; Jose Xavier Nunes, o Seu Nunes; Anésio, Dito Carvalho, Harlei e Tito Schumel; a família Pínola; Godinho Arruda que também presenteou com seus filhos à Itapira, Jose e Waldemar na clarineta e no violino e saxofone; João Ramonda cujos filhos foram: Estevão, João Filho, Carlos, Pedro e Chin, todos músicos e professores; a família Piva que fabricaram sanfonas e as dedilhavam em todos os eventos, desde Pedro Piva, Gino Piva, Gilberto Piva e o último, Quéco Piva.
O Seu João lembra que aqui houve sempre uma rivalidade sadia, sem ódios e ressentimentos, era amor à arte e a satisfação da população que era brinda a todo instante pela boa música. Diferente de sua terra natal, Jardinópolis. Ele conta que haviam duas bandas: Guarani e Carlos Gomes. Não faltava serviço para as duas e a população outrossim estava dividida, como fossem as bandas, times de futebol. Quando elas se encontravam, não sobravam instrumentos inteiros. Não em Itapira, isso nunca. Aqui tinha duas bandas de Jazz: Batutas e Fubá. Entre 1926 e 1928, elas foram fulgurantes incluindo aí os carnavais.
Não podemos esquecer da harpista itapirense Rosina Ferraiol Villaça. Dentre os 70 músicos da Orquestra do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, foi considerada a mais virtuosa, enaltecendo assim sua terra natal, Itapira. Ela era sobrinha de Pepino Ferraiol, alfaiate e produtor de diversas fantasias para os carnavais de nossa cidade. Tinha três lindas filhas, que lhe traziam um grande problema: quase todas as noites, os rapazes da cidade se aventuravam nas serestas em frente à janela de sua residência, fazendo de suas noites de sono encurtarem. No final da década de 20, mudou-se para São Paulo, levando suas lindas filhas, ainda solteiras, despedaçando os corações daqueles seresteiros.
Até um cantor cego fazia sucesso em nossas terras. Ele, mais o parceiro que enxergava, que haviam vindo de Portugal para tentar a vida no Brasil, paravam nas ruas de Itapira , pediam para que os transeuntes que parassem a sua frente dessem moedas para iniciarem suas cantigas. Tocavam e cantavam: fados, musicas brasileiras, valsas vienenses. Por isso, surgiu um ditado popular referindo-se aquelas pessoas que mesmo virada de cabeça para baixo, não cairia uma só moeda. Era dito pelos itapirenses mais críticos: “Aquele camarada está tão maquiado, o coitado não tem uma pataca para fazer cantar, um cego...”.
Ivahy Baptista do Nascimento, foi outro mestre, tanto que juntamente com Joãozinho Galdi, compôs uma das valsas mais belas escritas em chão itapirense: “Visão de Amor”. Em outro momento, quando Anizio Simões rompeu o namoro com a formosa Nica Lang, Ivahy compôs uma outra valsa com os versos do próprio Anizio: “ Rosário de Lágrimas”. A música do Hino de Itapira foi feito por Ivahy.
A população se ajuntava onde os músicos preparavam seus instrumentos e vozes. E, após, saiam cantarolando. Era de graça. Valia até ficar ao lado de um solar ou no parque para ouvir uma mazurca, polca, tango, maxixe e brasileiras como: Luar do Sertão, Talento e Formosura, Cabocla do Caxangá, Lampião de Gaz, Casinha Pequenina entre outras.
Bandas

BANDA DA PONTE NOVA
A Banda União e Progresso da Ponte Nova. Brilhou entre 1922 a 1927. Teve como dirigente o Maestro Hermenegildo Dollari. Todos os músicos eram moradores do bairro e em número de 22: José Rodrigues dos Santos, Jose Riciluca, Adelino Ferreira, Benedito Braz, Adolfo Corsi, João Ferreira, Benedito Soriani. Izaltino Braz, Humberto Altafini, Adolfo Riciluca, Servino Lopes, José Sodário Bueno, José Felipe. Mais os da família Sabadini: Jose, Angelo, Arcanjo,Antonio, Pedro, Valentim, Altino, Zelindo e Eduvildo.
Eles se apresentavam em toda a Itapira, cidades vizinhas e até em outros Estados do Brasil. O Maestro Hermenegildo permaneceu à frente da banda por três anos e, por vicissitudes da vida, mudou-se para São Paulo deixando em seu lugar, o aluno mais aplicado, que recebeu do mestre a varinha de marfim, Adolfo Riciluca.

BANDA DE ASSOBIOS
Existiu neste chão, no final de 1918, o aparecimento da Banda de Assobios. Alunos do falecido Pedro Eirale, eles não usavam instrumentos musicais e, sim, seus próprios corpos. Assovios, voz e sovaco. Tocavam as musicas da época com fervor. Era o tempo da Gripe Espanhola. A policia reprimia qualquer aglomeração mas não intimidavam a banda. Tocavam no coreto, no largo da Matriz e nos desfiles de rua. Fundada pelo mestre Pepino Anastácio que a regia usando não a batuta de marfim mas uma Guarantã, batuta feita de madeira parecida com um cassetete. Tinha dupla serventia, caso as coisas se complicassem. Os outros: Arturzinho Fernandes, Nico da Serafina, Armelindo Adriani, Américo Passarella, Egidio Domasqui,, Davi Ganzaro, Didi Cintra, Anizio Simões, Marcos Rovaris, Raul Boretti e Nicola Squetini.



JAZZ-BAND FOLIES









BANDA LIRA
A fundação da Banda Lira começa em 09 de abril de 1909, uma sexta-feira. Os primeiros nomes que o historiador lembra são: Flaminio Simões, Antonio Paulino de Castro e Rodolfo Tolentino. São 15 os elementos originais que segundo Torrecillas eram fanáticos pela música. Bem, vamos aos nomes e instrumentos: o Maestro Antonio Paulino de Castro na regência; Clarinetas: Alberto Lang, Rodolfo Tolentino e João de Oliveira (Zico da Narcisa); Requinta: Antonio Rodrigues Gomes (Niquinho); Bombardino: Celestino Correia (Tinão); Pistonista: Flaminio Simões e Benicio Campos Brito; Sax de harmonia: Alcebiades Rodrigues Gomes e Alfredo Ceragioli (Alfredinho); Trombone: Luiz Paranhos; Baixo: Manoel Cabral; Caixa: José Borges (Bepim); Bombo: Rudgero Leone; e Pratos: Augusto Borges. Aqui vemos vários apelidos e, os itapirenses foram pródigos em apelidar os moradores penhenses.
A fundação da banda ocorreu por um incidente. Foi durante a apresentação no Cine Teatro Recreio, da Banda União que igualmente abrilhantava os eventos municipais, como atos oficiais, festas religiosas e cívicas, nas retretas do Parque Municipal, etc., quando se “chocaram” os músicos, o maestro Ananias de Mello Vieira que morava em Campinas e o público. Ocasião em que o mestre resolveu dissolver a importante corporação. Ao desaparecer permitiu que os homens citados acima resolvessem fazer surgir outra banda. Esse assunto tem muito a ver comigo porque meu pai, Nelson Álvaro Carlos, foi músico da Corporação Musical Lira de Ouro do Jaçanã, em São Paulo, tocando pratos. Aliás, a família dele toda participava da banda, mas infelizmente eu não herdei nada da veia musical deles. Meu pai falava com muito orgulho e saudade daquele seu tempo de banda. E, só para lembrar, a Banda Lira vem atravessando mais de cem anos de apresentações. Como o historiador afirma, é a “Menina dos Olhos do povo itapirense”.

ORQUESTRA PINGUÇA
O curioso nome não deveria ter nada com os músicos porque o maestro era o pistonista Orestes Zerbinatti, dono de uma relojoaria na Rua Bento da Rocha. Os ensaios eram feitos todas segundas e sextas, numa pontualidade e assistência britânica, como igualmente as apresentações. Como eles não cobravam as apresentações, era praxe servir os comes e bebes. E, nesse “bebes” entrava uma garrafa de pinga do Seu Melico. Por pura brincadeira e gozação, batizaram a Orquestra como “Pinguça”. Faziam parte: Beppe Marella e Antonio Pimentel nos violões, Celestino Correa e Bepe Passarella nos violinos, Gino Piva na sanfona, Odorico Job na clarineta e Albertino Moraes na caixa.

ORQUESTRA DE CORDAS DO NENÊ NETTO
Esta aglomeração musical surgiu para os lados da Rua do Amparo. Era composta praticamente pelos familiares do Maestro Nenê Netto e alguns amigos. Só tinham vez o violino, violão, cavaquinho, bandolim e o rabecão. Os amigos são: no bandolim, o Neco (filho de Maneco Facada); no contrabaixo, o João Ananias Vieira e o professor Lafaiete Vieira ao violino.
Seu Nenê esperava com o passar do tempo, que seu filho, Eugênio Netto, despontasse como exímio instrumentista. Já havia sido vaticinado por uma cigana do futuro promissor do garoto. E, realmente, o Eugênio mostrou-se logo de pequeno dotado para os instrumentos. Mas, a vida madrasta, ceifou sua vida na flor da idade. Foi um grande musicista itapirense.

ORQUESTRA DO GINO DOZZA
Essa orquestra brilhava no ano de 1908, tempo do Teatro Santana, dos sermões do Padre Bento, tempo em que um dos sinos da Matriz era de pau. Gino Dozza regia e tocava o piano, Nenê Carvalho no trombone, Duduca Nunes na flauta, Ivahy Batista do Nascimento no piston, João Leste no contrabaixo, Eduardo Bourdot e Antonio Paulino nos violinos.


ORQUESTRA DO MAESTRO HORACIO MACHADO
A orquestra era regida pelo Mestre Horácio, que tocava violão, cavaquinho e bandolim, sendo este último seu preferido. Segundo o cronista, ele era uma pessoa boníssima e gostava de ensinar a arte para os seus conterrâneos. Trabalhava na Mogiana, no setor de mercadorias. Seus filhos e sua esposa, Dona Balbina, forma fundamentais para a vida do Mestre. Aurora, José e João, no violão e cavaquinho; no trabalho, o Chefe Chiquinho, Ludovino, João Maria, os irmãos Pinola, Ornádio e Arlindo; Toni Costa, Horácio, João e Jose Machado, Tico Pires, Irmádio, Ica Vieira, Sebasião Slgado, Tenente Pintor, João Torrecillas e outros. Sempre e diante de vários pedidos, a orquestra tocava a marchinha criada pelo Mestre Horácio, Chanchã. Sucesso nestes eventos.
Seu reduto era a Rua do Amparo e as residências dos Leite, Dona Joana e o Sr. Jose; Stéfano Ferrari, Miguel Nucci, Remo Pierozzi; e a Chácara do velho Costinha e Dona Maria com seus 29 filhos. E tudo isto sendo pago com: bule de café, bandeja de pães, bolos e doces. Era tudo na camaradagem, amor a arte, amizade. Tanto que ele não ficou rico em dinheiro mas tendo uma vida muito feliz com a família e na sua querida Itapira.



ORQUESTRA DO MAESTRO LAFAIETE VIEIRA
O historiador lembra dessa orquestra que se fazia presente em diversos locais de ajuntamento importantes e de pessoas do mesmo jaez. A orquestra usava como instrumentos: piano, contrabaixo, violino, trombone, violoncelo e ouros de percussão. Sempre com a chegada de Ministros, Secretários de Estado, Generais, Presidentes e Bispos aconteciam às recepções e, sempre com comes e bebes, com a Orquestra do Maestro Lafaiete a encantar o ambiente. Além dessas ocasiões, eram freqüentes no Hotel Sartini e nos abastados solares itapirenses em momentos como batizados, noivados, casamentos e banquetes comemorativos.
Torrecillas cita algumas autoridades que estiveram aqui e que, foram brindadas com as execuções de músicas durante os banquetes: General Luiz Barbedo, 1917; Doutor Oscar Rodrigues Alves, secretario do Interior do Governo Paulista, 1919; Doutor Washington Luiz Pereira de Souza, Presidente do Estado de São Paulo, 1921, dia 05 de novembro. Este último, cognominou desta forma a nossa cidade: Itapira, a Linda.



TOCHA E SUA ORQUESTRA
Na década de 50 surge a orquestra que foi brilhante, nas festividades e bailes da cidade. Seus componentes eram: Airton Riberti no acordeon, Benedito Bicudo no pandeiro ritmista, Benedito Naite Avancini na bateria, Aldinho Piva no contrabaixo, tchin Ramonda no trombone de vara, Antonio Avancini no piston, Tocha Brianti no sax alto, Renato de Oliveira no sax tenor, Ito Teté Toledo no sax alto e Pedro Ramonda no sax tenor.
Saiu de suas mãos o ensino musical que revelou o Maestro Cipó, itapirense. Destacou-se na musica em São Paulo, trabalhando como diretor musical na extinta TV Tupi e, depois, indo para a TV Globo como maestro e arranjador. Ficou por 20 anos à frente da Orquestra do Maestro Cipó e fundou uma gravadora, a Tape Spot.

Pesquisando no museu, encontrei vários objetos e documentos referentes à música, como discos, partituras e aparelhos.
Nos discos de vinil, estilos clássicos, populares, políticos e até de futebol. Orquestras de Milão, Colbaz, Continental, Sinfônica de Nova Iorque, Vienense Boemia e a Filarmônica de Londres; como gravadoras: RCA Victor, Odeon, Continental, Copacabana, Som Livre e Chantecler; como cantores: Francisco Alves, Carlos Gardel, Gregorio Barrios, Alvarenga e Ranchinho, Solon Salles, Osny Silva, Carlos Galhardo, Francisco Canaro, Dalva de Oliveira, Dorival Caymmi, Carmem Miranda, Antenogenes Silva, Alberto Castillo, Titta Ruffo, Enrico Caruso, Roberto Inglez, Gastão Fermenti, Luiz Bordon, Luiz Gonzaga, Mario Zan, Nelson Gonçalves, Nilo Sergio, Nora Ney, Orlando Correia, Orlando Silva, Aloysio e seu acordeon, Bob Nelson e seus rancheiros, Cornélio Pires, Lecuona Cuban Boys, Paraguassu e seu grupo verde-amarelo, Pedro Vargas e Tonico e Tinoco.
Tenho certeza que diante desses nomes, muita gente em Itapira rememora agradáveis momentos de suas vidas, porque a música tem essa mágica, de se ligar num fato da vida que nunca mais iremos esquecer. É só ouvi-la, que as lembranças voltam em torrentes.
Tenho fotos de alguns aparelhos e fragmentos que são interessantes ver:




Vitrola portátil transistorizada, ano de 1964





Vitrola, ano de 1929





Rádio vitrola portátil, anos 60





Rádio de mesa da década de 30





Rádio, ano de 1907





Braço de gramofone, ano de 1877












PARTITURAS
Contei 13 partituras completas sobre a Revolução de 1932.

Hoje, sob os auspícios da Prefeitura, continuamos a contar com a Banda Lira Itapirense, o Coral da Cidade e a Casa das Artes, que fica no Parque Juca Mulato, sediada na residência onde por muitos anos morou o Cônego Henrique de Moraes Matos. A casa dedica-se ao ensino musical para crianças e adultos, e conta com gente que adora o que faz. Parecem muito com os antigos maestros que por muitos anos, ensinaram a gente itapirense os segredo e a beleza de tocar e cantar. Atividade humana que torna impossível imaginar o mundo, sem essa gente, que nos encanta com sua arte.

Fontes: Crônicas de João Torrecillas Filho, no jornal A Cidade de Itapira e Álbum de Itapira de João Netto Caldeira.




CULTURAL

A autora é da Academia Itapirense de Letras de Itapira

9ª SEMANA NACIONAL DE MUSEUS












Evento para comemoração da
9ª SEMANA NACIONAL DE MUSEUS – 2011

Para concorrer com um evento para abrilhantar a semana nacional de museus, convidei o grupo CORDÃO DE OURO, do professor Rodrigo Henrique da Silva e do professor João Paulo Cestaro. Estiveram presentes com 13 alunos, todos jovens.
A apresentação foi feita na frente do Museu Histórico e teve a participação de 60 alunos do ensino fundamental, da Escola Estadual Dr. Julio de Mesquita, sendo responsáveis pelas crianças, as professoras: Sueli Marquezi e Rosangela Calixto.
O que o professor Rodrigo mostrou foi: o que é capoeira e um pouco da sua história. Inclusive falando da escola em Itapira que funciona na Rua Embaixador Pedro de Toledo, próximo à Escola Objetivo. Mostrou um pouco do jogo e do samba. Apresentou também os instrumentos e como eram executados. Explicou que não é uma religião, motivado pelo preconceito que muitos ainda tem. O objetivo do grupo é formar seres humanos baseados nos melhores princípios da sociedade.

Durou 50 minutos a apresentação e foi muito aplaudida ao final.

A Guarda Municipal, enviou dois gms, para acompanhar e dar segurança ao evento. Falei com o Comandante Sabadini que de pronto assegurou a vinda deles. Foram os soldados Andreá e Brolezi que se fizeram presentes.

Acredito que meu objetivo foi cumprido, uma vez que, as professoras, vários alunos e eu mesmo, fizemos perguntas que foram logo esclarecidas pelo Professor.

FAZENDAS DE CAFÉ E A PRESENÇA ITALIANA EM ITAPIRA





Foi com a chegada do Comendador João Baptista de Araujo Cintra, vindo de Atibaia-SP, em 1840, homem rico e com a vida voltada ao café, que adquirindo elevado número de terras e, iniciando o plantio do fruto com mão de obra escrava, fez a cidade progredir. Construiu a Igreja, Cadeia, Forum, sua própria casa feita de taipas para espanto dos outros moradores do vilarejo.
A vinda dos italianos para Itapira não tardou, pois, foi no final do império que a imigração teve larga escalada para o Brasil. Itapira, na época, Penha do Rio do Peixe, tinha condições ideais de trabalho e clima bom para o plantio e um número cada vez maior de população, onde, outras profissões, abraçadas por esses homens, seriam de muita importância para uma cidade que estava se formando. Eram condições duras mas nada comparáveis com as deixadas em sua terra natal. Em 1900, a cidade já contava com uma população de 25.000 almas.



Praça Bernardino de Campos (iluminação elétrica) FOTO DE 1930



No livro de J.N.Caldeira, Album de Itapira- 1935, menciona no ano de 1905, a fundação da Sociedade Italiana de Itapira; em 1910, diante da grande colônia italiana, o governo daquele país nomeou agente consular, o Sr. Romolo Pindari; ainda neste ano, a empresa A.Bianchi & Cia, inaugurava o Theatro Recreio; 1915 inicia-se a distribuição do jornal “La Patria Degli Italiani”, de Rodolpho Paladini, em língua italiana; na área rural, os imóveis agrícolas totalizavam 781 unidades, sendo a mão-de-obra quase toda italiana, e contava na década de 30 com 9.500.000 pés de café.
Identificação de algumas das propriedades produtoras de café no começo do século XX:

CHACARA DAS LAVRAS
FAZENDA BELLA VISTA DOS FORÕES
FAZENDA BOA ESPERANÇA
FAZENDA BOA VISTA
FAZENDA DO BARREIRO
FAZENDA DO SALTO
FAZENDA ESPIRITO SANTO
FAZENDA FLORESTA
FAZENDA JARDIM
FAZENDA PALMEIRAS
FAZENDA PONTE FUNDA
FAZENDA SANTA BARBARA
FAZENDA SANTA BARBARA – LUPPI
FAZENDA SANTA ESCOLÁSTICA
FAZENDA SANTA FRANCISCA
FAZENDA SANTA JOANA
FAZENDA SÃO FRANCISCO
FAZENDA SÃO JOAQUIM
FAZENDA SÃO JOSE
FAZENDA SAO JOSE - HERMINIO BUENO
FAZENDA SÃO JOSE DA APPARECIDA
FAZENDA SÃO ROQUE
FAZENDA SÃO SEBASTIÃO
FAZENDA SITIO GRANDE
FAZENDAS REUNIDAS FRANCISCO CINTRA
SITIO APPARECIDA
SITIO CORREGO DO COCHO
SITIO RIO DO PEIXE
SITIO SANTO ANTONIO



No comércio podemos citar: Bilhar Marella, Farmacia Italo-Brasileira, Marcenaria Galli, as lojas de João Passarella, Casa Ferrucio Dini, Funilaria Trani, Loja Puggina, Lojas Boretti, Barbearia Marella, Sapataria Dellamura, Empório Sartori, Lojas Avanzinni, Armazém Cestaro, Hotel Sartini, Sociedade Italiana, Loja Frassetto, Industria de Calçados Basinelli.


O historiador Jacomo Mandatto, argumenta que em 1870 já exercem atividades comerciais na cidade os italianos João Batista Trani, Jacob Bologna e João Ricardini. Ariovaldo Cavarzan em sua livro “ Cavarsan, Il cuore non può dimenticare” enumera as famílias já em sua época: Cavarzan, Boretti, Pacini, Scieve, Montani, Marella, Zanovello, Dini, Barizon, Pascoale, Artigiani, Monezzi, Marconi, Orlandi, Mozzaquatro, Rodella, Colferai, Brunialti, Crocci, Bellan, Lenuzza, Crepaldi, Avanzini,Mazzei, Pindare, Bonatelli, Piva, Meneghin, Galdi, Fiorim,Baldassim, Zanchetta, Baretta, Breda, Sabadini, Zonnino, Luchetti, Lantin,Nicolai, Consorti, Langhi,Ravetta,Caponi,Zannin, Zanovello, Bosso, Giuseppe,Lico, Ettore,Artigiani, Bolgna, Breda, Frassetto, Barel,Coppo, Nicolai, Marella, Ricciluca,Recchia,Zázera, e outros.
O próprio Jacomo Mandatto é fruto da descendência italiana e muito fez pela memória desta cidade. Foi jornalista, historiador e vereador. E, em sintonia com o prefeito fez muito para o sucesso de Itapira.
Odette Coppos, filha de italianos também brilhou no cenário nacional como jornalista, atriz, cantora, pianista, escritora, poetisa. Ela editou um livreto sobre a Mogiana “Um pouco da História do Trem em Itapira”, de 1976, falando da importância deste transporte para os gêneros alimentícios produzidos aqui.
De 1910, A BANDA ITALIANA- alguns nomes que formavam a corporação como João Ramonda, Soldaini, Italo Sartini, Guido, Antonio Ramonda, Estevam Ramonda, Clodomiro Boretti, Máximo, Ferruccio Dini, Fabiano Dias Bueno, Adelelmo Boretti e Gonçalves.
De 1924, CORPORAÇÃO MUSICAL ITALO-BRASILEIRA – José marella, Aldo Pivo, Antonio Passarella, Eduardo Avancini, Lafayte Vieira (regente), Américo Passarella, Antonio Avancini, Aldo Boretti, Francisco Boretti, Jose de Mello Vieira, Raul Boretti, Samuel Trani, Jose Bótero e Cyrino Boretti.
O Hino Municipal de Itapira deve sua letra a um descendente italiano, Bepe marella, conforme consta de uma referencia no museu histórico:
“....Jose Marella escreveu a letra e o maestro Ivahy Baptista Nascimento fez a composição musical em ritmo de marcha, estrofe e estribilho. Foram muito felizes em ambos os casos, pois, a letra é um poema aos valores e crenças itapirenses e a musicalidade torna muito fácil e empolgante o seu cantar...”.

CORPO

UNIFICADOS POVO SEMPRE ALERTA
PELA SANTA GLÓRIA DESTE TORRÃO
BERÇO DO SONHO ASSIM DISSE O POETA
LINDA, LINDA DISSE UM CORAÇÃO
SERÁ SEMPRE O BRASÃO
GLORIFICADOS PELA PADROEIRA
LEVANTEMOS ALTO NOSSA BANDEIRA
VIVER NO AMOR, AMOR
LUTAR SOFRER, SOFRER
POR ITAPIRA, PERFUMADA FLOR

Estribilho

SALVE! SALVE POVO DE ITAPIRA
ESTE TORRÃO QUE TUDO ADMIRA
O LINDA, LINDA ELA FOI BATIZADA
FLORES E MUSICA E ADORADA
SALVE! SALVE QUERIDA ITAPIRA
TU ÉS A TERRA DO SONHO E DA LYRA
UNIDOS SEMPRE SEMPRE NO AMOR, AMOR
ÁS DE SER SEMPRE PERFUMADA FLOR



A contribuição italiana à Itapira foi bastante importante tanto no campo como na cidade.suas devoções, folclore, músicas, danças, reuniões, religiosidade e principalmente a vontade de trabalhar.




Societá Italiana




Hoje, onde funciona a Câmara Municipal de Itapira, foi naquele ano de 1905 que inaugurou-se a “Societá Italiana de Mutuo Soccorso “Fratellanza e Lavoro”.Em 1915 do jornal La Patria Degl’italiani,
que era a voz da sociedade. No livro de Ariovaldo Cavarzan “ Cavarsan, Il cuore non può dimenticare” de 1993, lemos “....no artigo 2º do Estatuto Social, definia os objetivos da instituição: a) subsidiar os sócios em casa do enfermidade; b) prestar apoio moral aos sócios que procurarem trabalho; c) socorrer nos limites de suas forças os concidadãos necessitados; d) promover em qualquer ocasião, o beneficio moral e material dos sócios em particular e da classe trabalhadora em geral...”. Para tanto, contavam com departamentos culturais e assistenciais: Comissão masculina “Pró-Pátria e Cruz Vermelha”; Comissões e Sub-comissões Femininas de Trabalho, onde atuavam para arrecadação de fundos para os combatentes da primeira guerra mundial (Comissão Pró-Pátria e Cruz Vermelha), as campanhas do agasalho (Pró Lana), e organização das quermesses diversas, em favor da comunidade em geral.
Escola Mista Elementar. Seu diretor era o Professor Romolo Pindari, que representava o vice-consulado de Campinas. Era o ensino de primeiro grau e ensinava italiano, além de difundir os valores e culturas daquele país. No final de 1917 era freqüentada por 34 alunos (24 homens e 10 mulheres). Em 27 de julho de 1939, ocorreu uma assembléia de sócios, concordando na doação de patrimônio à prefeitura para a construção do Ginásio Oficial na cidade, prédio que vemos até hoje, onde funciona a Prefeitura do Município.


A Societá foi fundada pelos srs. Angelo Bertoni, Pedro Tortima e o Dr. André Veltri. Sua primeira diretoria foi:
DIRETORIA
Virgínio Avanzinni – Presidente
Vittorio Moro -Vice-Presidente
Julio Cavenaghi – 1º Secretário
Antonio Bianchi – 2º Secretário
João Cavenaghi – Tesoureiro

CONSELHO
Annibal Del Corso, Antonio Donati, João Secchi, João Bianchi, João Trani, Jose Andreoli, Benjamin Zanovello, Jose Boretti, Firmino Marconi e Wenceslau Pasquali.
A sede ficava na Rua João de Moraes, 404 , centro da cidade.

Outra pessoa que elevou o nome italiano em nossa terra foi ninguém menos que Paulo Menotti Del Picchia, filho de italianos e que aqui se radicaram. Aflorado o gênio artístico de Menotti, foi até o final de sua vida uma luz de inteligência e sabedoria para a cidade e para o Brasil. O parque central foi rebatizado com o nome de um poema seu, Juca Mulato.

Victorio Coppos foi um construtor em Itapira e no sul de Minas Gerais no inicio do século XX e, fez várias obras que ainda permanecem visíveis em nossa cidade.



CIRCOLO ITALO-BRASILIANO XV DE NOVEMBRO DI ITAPIRA






Para conhecer o que é o Circolo fui até lá, sendo recebido pelo Professor Walter Ricciluca, que é o presidente daquela associação. Fui muito bem recebido por ele, com muita gentileza e simpatia. Disse que eu não conhecia o que era e muita gente aqui também não tinha noção alguma da importância do Comitato. O Circulo é na verdade uma congregação (comitato) de italianos de lá e daqui do Brasil e seus descendentes. Contou que a nossa região (Itapira e demais cidades limítrofes, incluindo o sul de Minas Gerais) receberam a maioria dos imigrantes europeus vindos da região de Vêneto, Italia. Uma família que aqui chegava e se estabelecia, chamava aos seus parentes. Por isso, encontramos o mesmo sobrenome tanto em Itapira como nas cidades próximas.
Foi criada em 1994 e teve como participantes os srs., Guilherme de La Guardia, Vincenzo Leoni, Victorio Visnad , Orlando Dini e Walter Ricciluca. O primeiro local foi na Estação da Fepasa. Em 1995 começou a passar por reformas. Em 1950 experimentou declínio. Posteriormente migrou para o Clube XV que se encontra na praça já citada, onde funciona até os dias de hoje. Por motivos de saúde, o Professor Ricciluca esteve afastado nos últimos 3 anos. Hoje, com seu retorno, está iniciando a reforma deste prédio e, local que acima de tudo, foi muito importante na vida de Itapira no começo do século passado. Afirmou que o relacionamento com os prefeitos sempre foi muito bom tendo o apoio esperado para a realização de suas atividades.
O Circolo está presente em várias cidades como: Mogi Mirim, Amparo (reativada), Pedreira, Socoro (reativada), Espirito Santo do Pinhal, Mogi Guaçu e Jacutinga. Representa o Vice-Consulado Italiano de Campinas tratando de documentos e processos para se obter a cidadania daquele país. Opera também a Câmara de Comércio Italiana para o leste Paulista e sul de Minas Gerais abrangendo 29 cidades. Está investida do Patronato da ACLI-Associação Católica dos Trabalhadores Italianos (Sindicato Católico). Nestas atividades tem a liderança e renome junto ao Vice-Consul. Por fim, tem a missão de propagar a cultura italiana em terras brasileiras. A Festa Della Nona é um grande momento para essa missão. Sempre com recursos próprios, ela acontece na praça principal da cidade, que é a praça Bernardino de Campos, no mês de agosto. Este ano terá a sua XXI edição. Festival gastronômico, danças, músicas, artesanatos, apresentações cênicas , corais e bandas. Muito concorrida, a cidade se encontra nela.






Professor Walter Ricciluca em sua sala de trabalho.
Só posso reconhecer a grande contribuição dessa gente italiana a Itapira desde a sua chegada na virada do século XIX como os que hoje vivem sobre o solo da antiga Penha. Outras nações se fizeram presentes em nossa história mas isto, é matéria para outras páginas. Como diria Jacomo Mandatto: “- Brava gente italiana...”



Fontes: Jornais a Cidade de Itapira, Tribuna de Itapira, História Ilustrada de Itapira (Jacomo Mandatto, 2006), Cavarzan, Il cuore non può dimenticare (Ariovaldo Cavarzan, 1993), Brava Gente Italiana (Jacomo Mandatto, 1995), e o Livro de Itapira (Odette Coppos, 1995).




Cultural

Uma poesia feita para Itapira em 1940, por Antonio Cescon


À MEMÓRIA DE UM GRANDE HOMEM




JOÃO TORRECILLAS FILHO



Para quem tem o sadio hábito de ler jornais, tanto da cidade como os da capital, além de tudo o que recheia o periódico, deparamos com colunas que se prestam aos mais variados fins. A minha, por exemplo, tem a intenção de propagar Itapira e os seus feitos. Folheando os jornais do acervo, que são vários, desde o comecinho do século passado, vamos conhecendo diversos escribas (meu caso) e notáveis jornalistas (formados ou autodidatas). Um destes, que conheci pelo jornal, ganhou a minha atenção pela forma como escrevia, leve e, quase que como se estivesse contando aquele fato a uma só pessoa. Em muitos momentos da narrativa usa de exclamações engraçadas que aos ouvidos de muitos de hoje não fazem sentido, pois, estamos fora daquele contexto. Ele escrevia sobre tudo, pois, havia vivenciado a grande maioria dos fatos e outrossim coletados com pessoas mais velhas que ele, quais viveram neste chão. Estou falando de João Torrecillas Filho que usava o nome de João do Norte nos textos. A coluna chamava-se “ No tempo da vovozinha” e foi escrito por mais de dez anos, através do jornal A Cidade de Itapira. Também achamos suas histórias publicadas no Jornal Folha de Itapira que tinha a direção de Antonio Carlos Setti e a gerência de Amaury Martins, com o titulo de “O Cantinho da Saudade”.


No jornal “A Cidade de Itapira” de 29 de dezembro de 1974, trás a notícia da festa que ocorreu naquele mês pelo aniversário de 68 anos de atividades do “Cidade” e aproveitaram a ocasião para homenagear João Torrecillas Filho, como grande colaborador do jornal, historiador e por ser quem era. Torrecillas era natural de Jardinópolis, nascido em 05 de maio de 1907 e, chegou às terras penhenses com 8 anos de idade. Era filho de João Torrecillas e Carmem Lanzas Torrecillas (espanhóis), tendo como suas irmãs, Maria e Dolores. Seu pai ficou conhecido como João Sorveteiro pelos gelados que vendia. O nosso homenageado terminando o primário, teve que enveredar na labuta diária onde, durante os anos que se seguiram foi: alfaiate; dono da sorveteria “Guarani”; gerente do Posto de Abastecimento da Unidade Sesi em 1952; convidado por Cesar Bianchi trabalhou no Sanatório Américo Bairral, onde foi secretario e gestor da alfaiataria do nosocômio; foi secretario do partido político P.T.N. e secretario da Loja Maçônica “Deus, Justiça e Caridade”. No Bairral, criou e fez florescer o teatro-amador, o coral e grupos musicais. Como ele mesmo disse, aposentou-se após 49 anos de trabalho, rico de saúde, felicidade e satisfação por tudo o que fez durante a vida. Não é à toa que seu nome foi dado à Casa da Cultura, não? A ele também foi dado na Câmara Municipal o Título de “Cidadão Itapirense”


Em 26 de abril deste ano falei com a filha dele, Dona Vera Dalva e compartilhei da minha vontade de recontar as histórias de seu pai. Ela foi super simpática e atenciosa e permitiu que eu assim o fizesse. Filha de peixe... Escolhi, dentre diversos textos um, que fala sobre a discutida e duvidosa visita do Imperador Dom Pedro II e sua esposa, Dona Tereza Cristina, em nossas terras, isto no ano de 1882. Como coloco também na internet, através do meu blog, meus amigos museólogos e historiadores irão descobrir se foi ou não verdade a ilustríssima visita real. O Seu João afirma que o Imperador, pelos trilhos do trem, visitara três cidades: Amparo, Mogi Mirim e Penha do Rio do Peixe no ano de 1882.







Jácomo Mandatto outrossim afirma que Dom Pedro II esteve em Itapira (História Ilustrada de Itapira – 2006) em outubro de 1886, sendo sua visita rápida, coisa de uma hora. Tanto uma quanto outra data, se pesquisada nas atas da Câmara da Penha do Rio do Peixe, não dão uma linha sequer à respeito.




Itapira, 1881




Mas, vamos ao relato. Esta reproduzido no jornal “A Cidade de Itapira” de 28 de setembro de 1969.

- A carruagem de 4 rodas, batizada com o nome de “Vitória”, servia à nobreza, fôra conseguida em Campinas. Os cavalos eram daqui mesmo, lindos, e haviam vários nas fazendas pertencentes à cidade. Sem dúvida, o anfitrião foi o Comendador João Batista de Araujo Cintra.








Pela localização de sua residência junto à matriz e prestígio daquele possuidor de comenda, é que Dom Pedro II e a Imperatriz foram recepcionados. O banquete servido no horário vespertino contou com a presença dos homens bons da cidade e suas famílias. O Seu João usa o termo “opiparo banquete”. Deliciosos manjares, suculentas iguarias preparados pelos escravos no forno e fogão da residência do Comendador. Diz o historiador que seus escravos eram tratados como seres humanos, tanto os da casa como da fazenda. Diz mais. Que o Imperador permaneceu em nosso chão por cinco horas. Tempo suficiente para visitar as duas escolas, a Igreja Matriz, a Câmara, o Mercado, participar do banquete e conhecer algumas ruas.
Esta é uma das histórias de Itapira que ele, magistralmente registrou nas folhas dos semanários e, que à partir de hoje vou recontar. Tem muita coisa que vai nos levar a conhecer melhor o nosso espaço e como foi a maneira de viver e pensar dos cidadãos que viveram na Itapira daquele tempo.


RESPONDENDO AO LEITOR
Na matéria “Era Penha... depois, Itapira”, em 12 de março deste ano, escrevi sobre o Delegado de Polícia, Joaquim Firmino de Araujo Cunha, retirado de diversos livros e jornais do acervo do museu histórico. João do Norte e Odette Coppos escreveram muito à respeito. Um leitor, conversando comigo após a publicação me advertiu que usei uma palavra muito ácida para qualificar aqueles que mataram o policial. Sicários é a questão. Respondi que não fui eu que dei esse atributo aos assassinos mas que no livro de Jácomo Mandatto, o historiador reporta o que os jornais abolicionistas narraram sobre o fato. Eu não os conheci, muito menos Mandatto! Então não é pessoal e nem reflexão moral, simplesmente fato histórico. Torrecillas faz considerações no sentido de que a turba queria dar um “susto”, espantar da Penha um abolicionista num cargo importantíssimo para quem detinha escravos. Ele cita um fato, ocorrido à época em outra cidade envolvendo um Juiz que agia de forma a desgostar muito a população. Arrancaram-no à noite de sua cama, de pijamas. O colocaram sobre seu cavalo e aos gritos expulsaram o magistrado. Nunca mais, a autoridade quis pisar naquele solo. De qualquer forma, como vivem na cidade familiares daquelas pessoas envolvidas no acontecido, é importante destacar que não estou julgando, culpando ou coisa do gênero, simplesmente recontado uma história que está relatada em diversas mídias que estão ao alcance de todos.


Em “Prefeitos de Itapira e seus Vices”, no dia 9 de abril passado, não identifiquei o Dr. Luiz Arnaldo Alves de Lima como vice-prefeito na chapa do MDB, que foi vencedora do pleito daquele ano de 1976. Ele, durante o mandato de Barros Munhoz, não assumiu a prefeitura pelo fato do então prefeito não ter se ausentado de seu posto. Fica então registrado o cargo do ilustre advogado como vice na gestão administrativa iniciada em 1977. Um sobrinho dele é que perguntou porque não constou. Por isso minha resposta e o compromisso de corrigir as informações no blog.
Fontes: Jornal A Cidade de Itapira, 1972; “Joaquim Firmino, o Mártir da Abolição – 2001” de Jacomo Mandatto.




CULTURAL
Parte de um poema escrito para saudar o nascimento da Penha do Rio do Peixe datada 1824, encontrada no livro “História Ilustrada de Itapira – 2006”, de Jacomo Mandatto.




segunda-feira, 9 de maio de 2011

ADMIRÁVEL ODETTE COPPOS

À medida que vou conhecendo a historia e as pessoas de Itapira, fico admirado como esta terra foi pródiga e fecunda na geração de gente ligada às Artes. São pessoas que nasceram no século XX mas com a cabeça no século XXI, tais os pensamentos e atitudes que marcaram suas vidas em nossas terras.



ODETTE COPPOS



Hoje falo de Odette Coppos. Nasceu às duas horas da madrugada do dia 14 de maio de 1916, em Itapira. Portanto, se estivesse viva hoje, estaria com 95 anos de idade. Filha de descendentes Italianos, tendo como avô paterno Jácomo Coppos (italiano de Veneto, Pádua, Italia) pai de nove filhos no Brasil, sendo que o mais famoso para nós é Victorio Coppos, que foi casado com Romilda Carini. Ela foi filha deste casal. Para padrinho de batismo foi escolhido seu avô materno, Pedro Carini que se encontrava preso na cadeia da cidade por problemas políticos, algo até natural para a época, e foi lá na cadeia, onde é hoje a Casa de Cultura João Torrecillas Filho que ela recebeu o sacramento da Santa Madre Igreja, dando-lhe o nome de Maria Odette da Pureza Coppos. Era o mês da Festa dos 13.
Aos 7 anos de idade, compôs sua primeira musica e letra nostálgicas, tendo como motivo a morte de sua priminha Rosina. Já nessa idade gostava de ler e decorar poemas em italiano e espanhol. Estudou no Grupo Escolar Dr. Julio Mesquita contando com uma estupenda professora, Dona Lili Fonseca que a coordenou para uma exposição que a pequena Odette faria com muito sucesso naquele estabelecimento de ensino.
Aos 8 anos, estava fazendo aulas para a primeira Comunhão quando, resolveu se confessar diretamente a Deus e comungar sem o final do curso. Estava mostrando ao mundo da pequena Itapira quem ela era. Sua independência, sua critica às regras pré-estabelecidas, sua vontade de fazer coisas novas. Uma coisa que chamou minha atenção é a dedicação ao seu pai, Victorio Coppos. Dona Lilia Aparecida Pereira da Silva também demonstra a mesma dedicação, carinho, algo como veneração pelo pai. Sem dúvida porque esses genitores fizeram tudo que estava ao seu alcance para que elas pudessem gravitar no mundo das Artes. Cada uma a seu modo.
Ainda nesta idade, ao saber que o tio Luiz Fiordomo iria viajar para a Itália, quis ir junto. No que não foi atendida. Que ímpeto. Com 14 anos, seus pais a levaram para Mogi Mirim, na casa de Dona Dita Martinelli aprender a costurar, bordar, etc., coisas que as boas moças de família faziam para galgar um bom casamento e criar família. Imagino como uma mocinha com tanta energia para viver e descobrir o mundo reagiu. Aos 15 anos, seu pai deu-lhe um piano. Fez curso e aprendeu a tocar. O nome da professora era Luiza Vieira. Seu “debut” foi no Clube XV muito bem vestida, roupa confeccionada por sua tia Josephina Coppos, ao som de lindas valsas.
Aos 24 anos, muda-se para São Paulo, morando na Liga das Senhoras Católicas e trabalhando como funcionária pública no Gabinete de Investigações da Primeira Secção Interna. Muda-se (movida pela rigidez das regras) posteriormente para outra pensão, a de Dona Luiza dos Santos, próximo do Palácio dos Campos Elíseos, centro da cidade. Menos rígida. Criou a Marioh Confecções (lingerie) que infelizmente não resistiu por muito tempo.





Com amigos , jantando em um restaurante. Ela está entre os dois casais.
Como era muito bela, sempre esteve às voltas com as investidas dos homens. Isto foi uma constante, levando-se em conta a independência e liberdade que tinha. Quis por um ponto final nisto, casando-se com um cientista paulistano, mas não deu certo. Viajando para o Rio Grande do Sul conheceu o homem da sua vida. Filho de um general das hostes de Getulio Vargas.
Participou de um ritual de magia negra em São Paulo, trabalhou em circo como adestradora durante uma temporada, foi cantora no Cassino Mar Del Plata, foi detida pela policia em São Paulo por estar na madrugada passeando no Parque Trianon em companhia de seu primo (no dia seguinte estava solta), foi cantora lírica, atriz, escritora, jornalista e poetisa. No Tribuna de Itapira de 23 de maio de 1993, Odette menciona cidades onde atuou, como Caxambú, Baependi, Campanha, Belo Horizonte, Niterói, Bahia e Ceará. Focando Caxambú, através do pedido do Prefeito Jose Ferraz Caldas, Odette, foi chamada como museóloga que era, para criar o museu. E o fez com grande maestria. Em maio próximo, ele vai ser reinaugurado e novamente o nome da nossa homenageada e de Itapira, serão lembrados.
Após tantas experiências, alegrias e tristezas, ela, voltou para Itapira. Aqui produziu muito e suas obsessões foram : as congadas (26 anos de envolvimento) , o Delegado Joaquim Firmino e a Igreja Brasileira. Recebeu, o museu histórico, farto material sobre esses assuntos que a ela pertenciam. Estava tudo em sua casa, na Rua 24 de Outubro, local onde instalou seu MUSEU DA FANTASIA CRIATIVA.






Frente à sua residência na 24 de Outubro – local do museu particular

Estive lá, na demolição e pude perceber o que deve ter sido. No jornal O Tribuna, de 14 de fevereiro de 1993, o Sr. Fernando Luiz Thiago de Adriozola, Coordenador Regional de Comunicação Social do Instituto de Assistência Médica da Previdência Social, Regional São Paulo fala:







do que viu no museu de Odette: um Memorial Victorio Coppos; ornamentos de todos os estilos e épocas; a Capela Histórica, abordando assuntos sobre congadas, o delegado mártir e a Igreja Brasileira; a Caverna Morta; o Jardim Suspenso e o Ritual do Sino da Oficina.

No museu encontramos vários livros e jornais seus. São:
1- Jornal “SÓ MULHER” - 1985 - Itapira
2- Livro “O LIVRO DE ITAPIRA” - 1995 - Itapira
3- Livro “UM POUCO DA HISTORIA DO TREM DE ITAPIRA” – 1976 - Itapira
4- Publicação “A SOINDARA” (auto-biografia) – Década de 90 - Itapira
5- Livro “O LIVRO DA FESTA DOS 13 E DAS CONGADAS DE ITAPIRA” -1997 - Itapira
6- Livro “NASCE A CONGADA N.S. DO ROSÁRIO DOS HOMENS DOS PRADOS” -Década de 70 -Itapira

7- Livro “ CONGADAS” folclore – Década de 70 - Itapira
8- Livro “ GUIA DE TURISMO DA CIDADE DE ITAPIRA” – Década de 70 - Itapira
9- Novela Tragi-cômica “30 DIAS DE GERÊNCIA” - Década de 70 – Rio de janeiro
10- Livro “ CONGADAS” - 1971 – Rio de Janeiro







Ela esteve muito envolvida como disse, com alguns assuntos. No caso da Congada, ela, a Sra. Ofélia Zanovello e outros amigos, supriram e sustentaram as apresentações e tudo o que compunha-se de originalidade das congadas itapirenses, talvez porque como escreveu meu amigo, Conde Thiago de Menezes, ela quase nasceu em meio da festa dos 13. Tal a dedicação, que até cobrava da Administração Municipal, atitudes para que não deixa-se acabar essas tradições. Pela quantidade de livros falando à respeito de Congada, pode-se inferir como lhe era caro o assunto.
Outra paixão foi a Igreja Brasileira. Em 1974, Odette quis reavivar a seita em nossa cidade. Enfrenta resistência e, com autorização judicial instala a sede num barracão próximo ao cemitério. Teve vida efêmera. Quando de suas viagens para o nordeste, absorvida com assuntos folclóricos, outrossim levou a mensagem da Igreja Tupiniquim em suas palestras. Outro fato foi que aqui em Itapira em 30 de agosto de 1985, pela comissão organizadora, assinados por Jacomo Mandatto (historiador itapirense e ex-vereador) e Odette Coppos (atriz, escritora e jornalista), promovem a inauguração da reforma do túmulo do Cônego Manoel Carlos de Amorim Correia, no cemitério MORITURIS de Itapira.
Sobre o Delegado Joaquim Firmino, da mesma forma, publicou em jornais vários comentários, unindo o nome dele como “Mártir” da escravidão. A Princesa Isabel também mereceu destaque pelas leis do “ventre livre” e da “abolição’. Todavia, dá ênfase ao martírio do delegado e da conseqüente mudança do nome da cidade, apontando como esse fato pressionou o Império a tomar uma atitude que era cobrada pelos intelectuais, políticos e diversos países que mantinham relações com o Brasil.

Nos jornais que ela produziu, o foco maior foi seu pai. Como construtor fez vários prédios em nossa cidade. Alguns exemplos: Casa de Dona Helena Cunha; Clube XV de Novembro; Palacete do Cel Francisco Vieira; sobrado da Família Fiordomo; Igreja da Fazenda do Salto; Frontispício do Cemitério Morituris e da cadeia pública, como muitas outras.
Faleceu, Odette, no dia 09 de julho de 2009, aos 93 anos de idade. Deixou o mundo em um dia histórico para São Paulo. Data que não será esquecida por Itapira, sua terra natal, pela ausência de uma grande mulher e admirável astro.






Jornal A Cidade de julho de 2009

Na doação feita pela família de Odette, o museu recebeu um filme onde está eternizado a tarde de autógrafos no ano de 1961 e diversos monóculos com fotos, em sua grande maioria, sobre congadas.


































Fontes: Jornal Tribuna de Itapira - 1993; A Soindara – (Odette Coppos, Dec de 90); Site S. Freitas, Internet – Jornal Só Mulher – (Odette Coppos,1985); e documentos doados pela família de Odette Coppos.


Cultural





Letra e música para Itapira, por Odette Coppos




Diploma do Clube dos Escritores Piracicaba – ODETTE COPPOS, Imortal em 01 de novembro de 2000.

VISITAS AOS MUSEUS

Os museus de Itapira, como quaisquer outros, existem, para serem visitados. Quando vou a alguma cidade, procuro conhecer um equipamento cultural desses porque acabo tomando contato com a história daquela comunidade. As pessoas mais importantes, políticos, artistas, cientistas, folclore, enfim, uma amostra rápida sobre sua vida da comunidade e seus feitos.
O Instituto Brasileiro de Museus - IBRAM, todo o ano, realiza a semana nacional de museus, visando levar as pessoas, os munícipes, a conhecer um pouco de sua história social, política, geográfica, cultural e ambiental. Também é uma forma de fazer os gestores de cultura não deixarem estagnar os equipamentos culturais. Este ano o tema é: MUSEUS E MEMÓRIA.
Pensando nisso, imaginei falar sobre o que aconteceu nos museus de Itapira em relação as visitas escolares lá feitas. Itapira pensa grande, e não tem um, mas três museus. O mais antigo, Museu Histórico que leva o nome do Comendador Virgolino de Oliveira, Casa Menotti Del Picchia, que dispensa qualquer comentário e o de Historia Natural que leva o nome Dr. Hortêncio Pereira da Silva Junior.




MUSEU HISTÓRICO E PEDAGÓGICO COMENDADOR VIRGOLINO DE OLIVEIRA

Criado por decreto pelo Governo do Estado de São Paulo em 1972, funcionou provisoriamente num prédio junto à Câmara Municipal, depois sendo transferido (1974) e inaugurado no Parque Juca Mulato, onde está até os dias de hoje. Seu idealizador e por muitos anos, diretor, foi o Sr. Plínio Magalhães da Cunha, itapirense da gema. Posteriormente em 2001 foi municipalizado.

Seu acervo é eclético, portanto, vai das artes até as guerras. É dividido por câmaras onde o acervo esta relacionado. A maioria das exposições é permanente e sempre acrescentada por doações que ocorrem durante o ano.
A beleza, o cerne da instituição está não somente nas peças mas nos escritos. Esses sim conversam com o visitante, comovem, alertam, surpreendem. O que adianta ver a porta da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha e não saber o porque ela está no museu? Ver o retrato do Cônego Amorim, fundador da Igreja Católica Brasileira, e não saber como tudo aconteceu.
Memória. Segundo o dicionário Aurélio: “Faculdade de reter as idéias, impressões e conhecimentos adquiridos anteriormente; Lembrança, reminiscência, recordação, Celebridade, fama, nome, Monumento comemorativo, Relação, relato, narração.”
O museu recebe muitas visitas escolares, e estou postando aqui algumas fotos:










Fotos feitas em 2008 e 2011. Escola Municipal itapirense - Apresentação dos Batutinha (Itapira) dirigido pelo maestro Lupinacci – Entrega de premiação a aluna da rede estadual – Semana do Folclore com a Escola Julio Mesquita – Escola de Mogi Guaçu EMEF Prof. Anira Franco Campos mostrando anotações feitas pelos alunos para o trabalho em classe.
Nestes últimos dias tive a grata satisfação de receber alunos de universidades de Campinas e Franca, como também de Minas Gerais. São para pesquisar documentos, jornais, peças da época, fotos e livros. É muito bom ver a vontade de conhecer e a satisfação deles ao descobrir os fatos históricos ocorridos aqui. Afinal, o resultado dessa pesquisa vai se transformar no trabalho de encerramento de seus cursos.
Vez em quando, surgem no museu, alguns alunos do Antonio Caio, Caetano Munhoz e do ESO, querendo informações para trabalhos escolares. Eles também demonstram vontade de conhecer e entender a história da antiga Penha. Que prazer, ver jovens interessados. Concluo que são pessoas que na vida acadêmica, não sentirão dificuldades em administrar seus estudos porquanto sabem buscar as fontes. Entender e recontar a história.






MUSEU DE HISTORIA NATURAL HORTENCIO PEREIRA DA SILVA JUNIOR

Inaugurado primeiramente na Praça da Árvore, no mesmo prédio que foi o observatório municipal de Itapira, isto em 1999. Veio em 2007 para o Parque Juca Mulato, próximo dos outros dois equipamentos culturais. O homenageado com seu nome para o museu foi Pianista, Poeta e, aquele que trouxe a torre de transmissão das emissoras de televisão à nossa cidade. Filho do ex-prefeito Hortêncio Pereira da Silva e irmão de Dona Lilia Aparecida Pereira da Silva.
O museu conta com acervo excelente e tem por objetivos a educação ambiental e a pesquisa. Nas atividades faz atendimento ao público e às escolas. Dedica-se a taxidermia científica e possui kits didáticos para alunos. Neste ponto, as visitas de escolas com temas específicos, tem atraído constantemente professores e estudantes.

Infelizmente não consegui fotos das visitas escolares deste museu.






CASA MENOTTI DEL PICCHIA


Este local foi antigamente usado como laboratório de análises dos Serviços de Águas de Itapira. Em 1987, pelo decreto n. 24/87, tendo como diretor, o Sr. Jacomo Mandatto, inaugurou-se com vasto acervo do Escritor, Poeta, Advogado, Jornalista, Político e Imortal , o ilustre Paulo Menotti Del Picchia. Hoje, é a Professora Maria Elizabeth Guiraldelli quem dirige a Casa. O ponto alto para o acesso ao equipamento é a “Semana Juca Mulato”, quando as escolas participam com trabalhos relacionados ao tema do livro que dá nome ao parque.







Ao procurar nos jornais do acervo, encontrei reportagens sobre as inaugurações de cada um:





























Em casa um, encontramos um folheto que procura mostrar o que é, suas datas importantes e de maneira sucinta, um pouco do acervo que cada qual encerra:










Creio ser importante conhecer a história, literatura e biologia do Brasil e do mundo, como acredito também, conhecer tudo isto no âmbito do município itapirense. Escola e museu juntos. Valorizar o que ocorreu e ainda acontece aqui em nossas terras. Fica o convite para os professores. Como disse antes, os museus foram aqui criados para as visitas e apreensão da riqueza histórica e cultural de Itapira e, está ao alcance de todos. Abraços e Paz.

Estou inaugurando apresentações da arte de alguns itapirenses. Tenho vários trabalhos de Lilia Ap. Pereira da Silva (ilustrações). Este, pertence ao Livro “Desenhos para Pedrinho”, 2001. Editora Scortecci Editora, São Paulo.